China aconselha moderação aos EUA antes de ataque ao Irão caso negociações falhem

China aconselha moderação aos EUA antes de ataque ao Irão caso negociações falhem

O Governo chinês aconselhou hoje moderação aos Estados Unidos antes de lançarem um eventual ataque contra o Irão, caso as negociações relacionadas com o programa nuclear iraniano falhem.

Lusa /
Tingshu Wang - Reuters

"A China sempre defendeu a resolução de problemas por meios políticos e diplomáticos e opõe-se ao uso ou à ameaça de força nas relações internacionais", frisou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, quando questionada sobre um possível ataque.

A porta-voz recordou a "amizade histórica" entre a China e o Irão e sublinhou que Pequim apoiará o Governo e o povo iranianos na defesa da sua "estabilidade nacional e dos seus direitos e interesses legítimos".

Reiterou também a sua confiança de que "todas as partes valorizarão a paz, agirão com moderação e resolverão as suas diferenças através do diálogo".

"A China está disposta a continuar a desempenhar o seu papel de grande potência responsável" nestas questões, garantiu.

A cidade suíça de Genebra acolheu hoje a terceira ronda de negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irão, mediadas pelo Omã, para resolver as suas divergências sobre o programa nuclear iraniano.

O Omã destacou nas últimas horas uma "abertura sem precedentes" entre as partes a "ideias e soluções novas e criativas", numa tentativa de alcançar "um acordo justo com garantias sustentáveis".

Washington aumentou a pressão sobre o Irão nas últimas semanas através de ameaças do próprio Presidente Donald Trump e de um aumento do número de militares no Médio Oriente, embora ambos os países tenham iniciado negociações indiretas.

Trump, que inicialmente ameaçou com intervenção militar em resposta à repressão dos recentes protestos no Irão, direcionou posteriormente o seu foco para o programa nuclear iraniano, que Teerão afirma ser exclusivamente para fins pacíficos.

Teerão manifestou relutância em reabrir as negociações, especialmente após os ataques aéreos israelitas e norte-americanos de junho de 2015, que fizeram mais de 1.100 mortos, ocorridos no meio dos esforços para alcançar um novo acordo após o pacto de 2015, do qual os Estados Unidos se retiraram unilateralmente em 2018.

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